quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

não,não digas nada...


tudo isto [este post] para afirmar, com pompa e circunstância, por que não me é possível perdoar...
somente quando o que estiver la registrado não me fizer nenhuma diferença.
(espero que seja biodegrável o que sinto)
exercício de sobreviência.  
status quo:alerta (fragilidades valvulares)
resoluções: voltar a Penélope,o tal ofício da paciência....
respirar,de novo respirar,amordaçar o coração para o seu próprio bem,dominá-lo,domá-lo,torná-lo um orgão manso,obediente..
fugir aos acidentes cardiovasculares(o último foi intenso demais)
consertar meu desfribilador...

por enquanto deixa quieto,continuo treinando quedas.
dias desses,quando o lembrar e não sentir aquela sensação de soco na boca do estômago, mando sinal de fumaça.
ou não.
do resto, aquele mesmo resto...
conservo tudo no mesmo lugar,saudade não tem forma e nem contém nada.
resta olhar por outro ângulo.
para apenas concluir o mesmo.


e segue o baile.

     
    Não: não digas nada! 
    Supor o que dirá 
    A tua boca velada 
    É ouvi-lo já 
    É ouvi-lo melhor 
    Do que o dirias. 
    O que és não vem à flor 
    Das frases e dos dias. 
    És melhor do que tu. 
    Não digas nada: sê! 
    Graça do corpo nu 
    Que invisível se vê.
    Fernando Pessoa, 5/6-2-1931

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

tudo aquilo,nada disso...

adiar é dar tempo ao diabo...

mania de que se pode ir ao inferno e voltar...
na real, não deve haver nada de extra no fato de um moribundo agonizar um gesto de despedida, fazer um último aceno,antes de partir deste mundo. não haverá, portanto, nada de místico em saber  que se vai morrer.os orgãos falham e os sentidos vão-se, o corpo fala e nós ouvimos.
é fácil: (mais coisa,menos coisa) primeiro o coração dá sinal; hesita, acelera, atrapalha-se, anuncia a retirada.
depois o estômago encarrega-se de trazer o inferno à boca (o que facilmente se confundirá com a probabilidade de um vómito). o primeiro sentido a ir-se é a audição. a cabeça dentro de um pequeno compressor, à sua volta o mundo roda, roda, roda. no giro,acaba-se o equilíbrio.
do que vem depois, nada se sabe.

então das duas uma: ou se recobra, ou não se recobra.